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Dois engenheiros trabalham juntos diante de computadores em uma sala de controle durante uma simulação tecnológica.

Exercício nacional testa resposta a ataques cibernéticos contra o setor nuclear

A segurança cibernética no setor nuclear foi colocada à prova durante o Exercício Guardião Cibernético 8.0, realizado em Brasília entre 21 e 25 de setembro de 2026. A atividade simulou cenários de incidentes digitais capazes de afetar instalações e serviços essenciais ligados ao setor nuclear, com a participação da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) e de outras instituições públicas e empresas estratégicas.

Divulgado em 24 de setembro, o balanço da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear aponta que o treinamento teve como foco testar procedimentos, capacidade de reação e coordenação entre as organizações envolvidas. A proposta foi avaliar como diferentes estruturas respondem a situações de crise que combinam ameaças digitais e possíveis impactos sobre operações físicas.

O que foi testado no exercício de segurança cibernética

O Guardião Cibernético 8.0 foi coordenado pelo Comando de Defesa Cibernética do Exército, sob responsabilidade do Ministério da Defesa. De acordo com o Ministério da Defesa, o exercício reuniu cerca de 1.300 participantes, representantes de aproximadamente 300 organizações e integrantes de 14 países.

A programação envolveu setores considerados estratégicos para o funcionamento do país, entre eles energia, transporte, recursos hídricos, comunicações, biossegurança e economia. A presença de diferentes áreas permitiu trabalhar a articulação entre órgãos públicos, operadores de serviços e instituições responsáveis pela proteção de infraestruturas críticas.

No recorte nuclear, participaram a ANSN, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), a Eletronuclear, a Amazul, a Nuclep e as Indústrias Nucleares do Brasil (INB). Também integraram as atividades o Gabinete de Segurança Institucional e órgãos ligados à Marinha, ampliando a cooperação entre reguladores, empresas, estruturas governamentais e organizações militares.

Por que o setor nuclear é considerado infraestrutura crítica

Instalações e serviços associados ao setor nuclear dependem de processos coordenados, sistemas de controle e comunicação entre diferentes instituições. Por isso, um incidente cibernético não é tratado apenas como um problema de tecnologia da informação. A interrupção ou o comprometimento de sistemas pode exigir respostas integradas para preservar a continuidade dos serviços e a segurança institucional.

Segundo a Comissão Nacional de Energia Nuclear, o treinamento incluiu a simulação de ataques híbridos, situações de engenharia social, gestão de crises e proteção de infraestruturas críticas. A combinação desses cenários amplia o preparo das equipes para lidar com incidentes que podem envolver diferentes métodos de ataque e exigir decisões simultâneas.

A engenharia social, por exemplo, aparece no exercício como uma dimensão relacionada ao comportamento e aos processos internos, enquanto os ataques híbridos podem demandar respostas que ultrapassam os limites de uma única organização. O objetivo da simulação não foi reproduzir um caso real, mas criar condições para avaliar procedimentos, comunicação e coordenação em situações de pressão.

Simulações buscam aprimorar resposta a ataques coordenados

Ao reunir instituições do setor nuclear e de outras áreas estratégicas, o exercício também permitiu observar como informações e responsabilidades são compartilhadas durante uma crise. Essa integração é relevante porque incidentes cibernéticos podem atingir simultaneamente organizações com funções distintas, tornando necessária uma resposta coordenada entre governo, Forças Armadas, reguladores e empresas.

A participação internacional, com representantes de 14 países, acrescentou uma dimensão de cooperação ao treinamento. Já a presença de aproximadamente 300 organizações demonstrou a abrangência da atividade e a necessidade de estabelecer protocolos compatíveis entre diferentes estruturas. O número de participantes e entidades, contudo, corresponde ao conjunto do exercício, e não exclusivamente ao segmento nuclear.

Para a ANSN, a realização do Guardião Cibernético 8.0 representa uma oportunidade de testar a preparação do setor diante de cenários inéditos de incidentes digitais. No caso das infraestruturas nucleares, a prática contribui para identificar pontos de atenção, aperfeiçoar rotinas e reforçar a capacidade de reação institucional.

As informações divulgadas pelas instituições indicam que a segurança cibernética passou a fazer parte da preparação operacional de setores essenciais. No setor nuclear, esse trabalho depende da combinação entre prevenção, resposta a incidentes, gestão de crises e cooperação permanente entre as organizações responsáveis por instalações, serviços e regulação.