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Marcio Alaor de Araujo

Marcio Alaor de Araujo detalha como medir o risco de concentração

A concentração de clientes ou a dependência de uma única fonte de crédito aumenta a vulnerabilidade do caixa. Marcio Alaor de Araujo, executivo do mercado financeiro, explica como as empresas podem medir e mitigar o risco de concentração. Contar com poucos clientes, um único fornecedor ou uma só fonte de crédito torna o negócio suscetível a riscos. Uma única perda pode comprometer o fluxo de caixa e as decisões de investimento.

O que é risco de concentração?

O risco de concentração aparece quando uma parte relevante da receita, dos custos ou do financiamento depende de um número pequeno de contrapartes. Pode ser um cliente que responde por metade das vendas, um fornecedor sem alternativa ou um banco que detém toda a dívida.

Em períodos de normalidade, esse arranjo parece confortável. Contratos grandes simplificam a rotina e podem trazer volume. Marcio Alaor de Araujo explica que o risco só fica visível quando a relação muda. A mudança pode vir de uma troca de estratégia do cliente, de um atraso de pagamento ou do corte de uma linha de crédito.

A referência do sistema financeiro

O sistema financeiro lida com o tema há muito tempo. O Comitê de Basileia define como grande exposição aquela que atinge 10% do capital de um banco. O padrão internacional limita a exposição a uma única contraparte, ou a um grupo conectado, a 25% do capital de Nível 1.

A lógica é simples. Nenhum devedor deve ser tão grande a ponto de ameaçar a instituição caso deixe de pagar. Empresas de outros setores podem adaptar essa referência. Marcio Alaor de Araujo observa que o percentual exato importa menos do que a disciplina de definir um limite e acompanhá-lo.

Como medir na prática

O primeiro passo é montar um quadro de concentração. Para os clientes, calcula-se a participação de cada um na receita e no contas a receber. Para os fornecedores, a participação nas compras e a existência de substitutos. Para o crédito, a divisão da dívida por instituição, prazo e tipo de garantia.

Marcio Alaor de Araujo
Marcio Alaor de Araujo

Um indicador útil é a soma dos cinco maiores clientes sobre a receita total. Outro é o prazo médio de recebimento dos maiores compradores, que mostra se eles usam o poder de negociação para alongar pagamentos. Se esse valor sobe de um ano para outro, a empresa está ficando mais dependente. Alertas podem ser definidos com antecedência, de modo que a diretoria discuta o assunto antes de o problema surgir.

Reduzir a exposição sem perder negócios

Diversificar não significa abandonar bons clientes. Significa ampliar a base de forma planejada. A empresa pode abrir novos canais de venda, atender setores diferentes ou criar produtos para públicos complementares. O objetivo é que nenhuma perda individual comprometa a operação.

Nos contratos de fornecimento, convém qualificar um fornecedor alternativo para itens críticos, mesmo que em volume menor. No crédito, manter relacionamento com mais de uma instituição reduz a chance de ficar sem recursos. Alternar prazos e instrumentos também ajuda em momentos difíceis.

Concentração e crédito ao cliente

A concentração também afeta a política de crédito concedido. Vender muito a um único cliente aumenta a exposição ao risco de inadimplência. Limites por cliente, análise periódica da saúde financeira e garantias adequadas protegem o caixa.

Marcio Alaor de Araujo avalia que a decisão comercial e a decisão financeira devem andar juntas. A área de vendas quer fechar contratos grandes, e a área financeira precisa mostrar o custo do risco assumido. Quando os dois lados discutem com dados, a decisão tende a ser mais equilibrada.

Um limite definido antes da crise

Medir a concentração não elimina o risco, mas permite administrá-lo. Limites claros, indicadores acompanhados e planos de diversificação dão previsibilidade ao caixa. Marcio Alaor de Araujo resume o princípio ao frisar que o melhor momento para tratar do tema é quando os grandes clientes estão satisfeitos e o crédito está disponível. Nessas condições, as alternativas são mais amplas e o poder de negociação é maior.

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