Falar de dinheiro com os filhos ainda é um tabu em muitas famílias brasileiras. Segundo o empresário Alfredo Moreira Filho, que tem na ética e nos valores morais a base de sua família, a forma como as crianças aprendem a lidar com recursos limitados está diretamente ligada a valores como responsabilidade, planejamento e honestidade, que vão muito além da questão financeira.
Pesquisas internacionais indicam que os hábitos relacionados ao dinheiro começam a se formar ainda na infância, e a educação financeira já faz parte das orientações curriculares das escolas brasileiras. Entenda, nos tópicos a seguir, como a família pode contribuir nesse processo e como usar a mesada como ferramenta educativa.
Os hábitos financeiros começam cedo
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, a pedido de um órgão britânico de orientação financeira, concluiu que muitos dos hábitos relacionados ao dinheiro já estão formados por volta dos sete anos de idade. Nessa fase, a criança começa a compreender noções como valor, troca e a ideia de que nem tudo pode ser comprado imediatamente.
No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular, que orienta o ensino nas escolas, inclui a educação financeira entre os temas que devem ser trabalhados ao longo da educação básica. Ainda assim, especialistas lembram que a escola não substitui o papel da família, já que é em casa que a criança observa como os adultos tomam decisões de consumo. Como reforça Alfredo Moreira, o exemplo dos pais na relação com o dinheiro ensina mais do que qualquer aula teórica.
A mesada como ferramenta de aprendizado
A mesada é uma das formas mais práticas de ensinar a lidar com recursos. Ao receber um valor fixo, em uma periodicidade definida, a criança precisa decidir como usar o dinheiro, aprender a esperar para comprar algo maior e lidar com as consequências de gastar tudo de uma vez.
Muitos especialistas sugerem dividir a quantia em partes com finalidades diferentes, como gastar, guardar e ajudar alguém. Essa divisão ajuda a criança a visualizar que o dinheiro pode cumprir diferentes funções. Para os menores, valores pequenos e períodos curtos, como uma semana, funcionam melhor; com o tempo, o prazo pode ser ampliado para um mês. Na percepção de Alfredo Moreira Filho, essa prática transforma conceitos abstratos de planejamento em decisões concretas do dia a dia.
Valores que vão além do dinheiro
A educação financeira também é uma oportunidade de transmitir princípios. Ao planejar uma compra, a criança aprende a definir prioridades e a ter paciência. Ao reservar uma parte para doação, desenvolve generosidade. Ao prestar contas do que gastou, exercita a transparência e a honestidade.
Conversar abertamente sobre o orçamento da família, em linguagem adequada à idade, também ajuda os filhos a compreender o valor do trabalho e o esforço necessário para obter renda. Explicar por que determinada compra não será feita, em vez de apenas negar o pedido, ensina a pensar sobre necessidades e desejos. Sob a perspectiva de Alfredo Moreira, uma relação saudável com o dinheiro começa pela compreensão de que ele é um meio, e não um fim.
Cuidados para que a mesada funcione
Alguns cuidados aumentam as chances de sucesso. Um deles é manter a regularidade e o valor combinados, evitando adiantamentos frequentes que anulam o aprendizado sobre planejamento. Outro é não usar a mesada como punição ou como pagamento pelas tarefas básicas da casa, que fazem parte da convivência familiar e devem ser responsabilidade de todos.
Também vale permitir que a criança erre. Gastar todo o dinheiro em algo que logo perde a graça pode ser uma lição valiosa, desde que os pais conversem sobre a experiência sem humilhação. Com o crescimento, é possível introduzir novos conceitos, como poupança, juros e metas de longo prazo. À luz do que frisa Alfredo Moreira Filho, ensinar os filhos a administrar pequenos valores é uma forma de prepará-los para decisões maiores e mais responsáveis ao longo da vida.