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Protótipo de aeronave elétrica eVTOL com hélices exposto em ambiente interno

Brasil prepara regras e infraestrutura para chegada de aeronaves elétricas eVTOL

O Brasil iniciou uma articulação entre governo, órgãos reguladores e empresas para preparar a futura operação de aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical, conhecidas como eVTOLs. A tecnologia foi tema de uma reunião realizada em 21 de setembro de 2026, no Ministério de Portos e Aeroportos, com participação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), da Eve Air Mobility e de possíveis operadores.

Divulgado em 22 de setembro, o encontro tratou de pontos que vão além do desenvolvimento da aeronave. Entre os assuntos discutidos estão os processos de certificação, o controle do espaço aéreo, a conectividade, a infraestrutura de energia, o carregamento elétrico e a criação de locais destinados a pousos e decolagens. A preparação indica que a chegada dos eVTOLs dependerá de uma estrutura regulatória e operacional ainda em construção.

Como funcionam os eVTOLs

Os eVTOLs são aeronaves elétricas projetadas para realizar pousos e decolagens na vertical. A proposta combina a propulsão elétrica com um modelo de operação voltado a deslocamentos urbanos e regionais, especialmente em trajetos que conectam centros das cidades, aeroportos e áreas metropolitanas. Por não dependerem de uma pista convencional para essas manobras, os veículos exigem a definição de pontos específicos de operação e de uma infraestrutura compatível.

Durante a reunião, a Eve apresentou como possibilidade uma viagem entre a Zona Sul de São Paulo e o Aeroporto Internacional de Guarulhos em aproximadamente 12 minutos. Atualmente, o percurso pode levar de uma a duas horas por via terrestre, segundo as informações divulgadas sobre o encontro. A estimativa, porém, é uma projeção apresentada pela empresa e não representa um serviço já disponível, uma autorização de operação comercial ou um prazo confirmado para o início dos voos.

Certificação ainda está em desenvolvimento

Um dos principais desafios para as aeronaves eVTOL no Brasil é estabelecer critérios técnicos adequados às características desse novo tipo de veículo. Em 21 de julho de 2026, a Agência Nacional de Aviação Civil abriu consultas setoriais sobre os requisitos de aeronavegabilidade e de certificação de ruído aplicáveis ao EVE-100, modelo desenvolvido pela Eve.

Segundo a Anac, os requisitos existentes não eram diretamente aplicáveis às características do EVE-100. Por isso, a agência elaborou e submeteu à avaliação critérios específicos para orientar a certificação da aeronave. O processo é parte da etapa regulatória e não significa que o modelo já esteja certificado ou liberado para transportar passageiros no país.

Órgãos terão funções diferentes

A preparação envolve diferentes áreas do poder público. A Anac participa da definição dos requisitos de segurança e certificação; o Decea está relacionado ao controle e à organização do espaço aéreo; e a Anatel aparece nas discussões sobre conectividade. O Ministério de Portos e Aeroportos coordena o debate institucional sobre a preparação da infraestrutura e da integração da tecnologia ao sistema de aviação.

Também será necessário avaliar como os pontos de pouso e decolagem serão instalados e conectados à rede elétrica. A operação exigirá locais apropriados para receber as aeronaves e sistemas capazes de atender à demanda de carregamento. Esses elementos ainda fazem parte da discussão sobre as condições necessárias para que os voos possam ocorrer de forma segura e organizada.

O que falta para a operação comercial

A reunião divulgada pelo Ministério de Portos e Aeroportos mostra que o Brasil está em uma fase de preparação, e não diante de uma operação comercial já autorizada. Antes de transportar passageiros, a aeronave precisará avançar nos processos de desenvolvimento e certificação, enquanto as autoridades deverão definir regras para espaço aéreo, ruído, comunicação, segurança e infraestrutura.

Para a mobilidade urbana, os eVTOLs podem representar uma alternativa para deslocamentos entre regiões metropolitanas e aeroportos, mas os efeitos concretos dependerão das regras que forem estabelecidas e da implantação dos pontos de operação. Neste momento, a principal iniciativa é estruturar as condições técnicas e regulatórias para que a tecnologia possa ser avaliada dentro do sistema brasileiro de aviação.