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Vista externa do edifício do Banco Central do Brasil em Brasília, sob um céu colorido.

Banco Central reduz projeção do PIB de 2026 para 1,8% e leva Selic a 13,75%

O Banco Central reduziu de 2% para 1,8% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026. A estimativa consta do Relatório de Política Monetária divulgado em 24 de setembro de 2026. Para 2027, a autoridade monetária prevê expansão de 1,4% da economia.

O documento aponta que a atividade econômica perdeu força no segundo trimestre. O PIB avançou 0,5% no período, resultado inferior à alta de 1,1% registrada nos três primeiros meses do ano. Segundo o Banco Central, a desaceleração foi disseminada e alcançou indústria, serviços, consumo e investimentos.

A revisão ocorre em um cenário de juros ainda elevados e inflação acima da meta oficial. Na reunião de setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. O corte foi o segundo consecutivo, depois da redução realizada em agosto.

Atividade perde ritmo no segundo trimestre

De acordo com o Banco Central do Brasil, a perda de velocidade da economia foi observada em diferentes componentes da atividade. O desempenho mais fraco da indústria, dos serviços, do consumo e dos investimentos contribuiu para que o crescimento trimestral ficasse abaixo do registrado no início de 2026.

A autoridade monetária também destacou que o mercado de trabalho continua aquecido. A combinação entre emprego resistente, desaceleração da atividade e condições financeiras restritivas forma o pano de fundo para a condução da política monetária nos próximos meses. A taxa Selic influencia o custo do crédito, as decisões de investimento e o consumo das famílias e das empresas.

Com a nova projeção, o Banco Central passou a trabalhar com um ritmo de crescimento mais moderado tanto para 2026 quanto para 2027. A estimativa para o próximo ano, de 1,4%, também sinaliza uma expansão inferior à previsão divulgada pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

Inflação recua, mas continua acima da meta

O relatório informa que a inflação acumulada em 12 meses caiu de 4,7% em maio para 4,2% em agosto. Apesar da melhora, o índice permanece acima da meta de 3%. No cenário de referência do Banco Central, a inflação deve terminar 2026 em 5,2% e recuar para 3,9% em 2027.

Esse comportamento mantém a inflação no centro das decisões do Copom. Na ata da 281ª reunião do Copom, referente ao encontro de 15 e 16 de setembro, o comitê afirmou que a condução dos juros dependerá da evolução dos preços, das expectativas de inflação, do mercado de trabalho e dos riscos externos.

Entre os fatores externos acompanhados pela autoridade monetária estão os efeitos de mudanças nos preços do petróleo, da energia e de outras commodities. Esses elementos podem alterar as condições econômicas e influenciar a trajetória da inflação, exigindo acompanhamento contínuo por parte do Banco Central.

Projeções oficiais apresentam diferenças

A previsão do Banco Central para o PIB em 2026 é inferior à estimativa apresentada pelo Ministério da Fazenda. Em 22 de setembro, a Secretaria de Política Econômica projetava crescimento de 2% para a economia brasileira neste ano e de 2,3% em 2027.

A diferença entre os números reflete cenários e metodologias próprias de cada órgão. Enquanto o Banco Central revisou sua projeção para baixo no Relatório de Política Monetária, o Ministério da Fazenda manteve uma perspectiva mais otimista para o desempenho da atividade nos dois anos.

Para consumidores e empresas, o cenário combina crescimento mais lento, inflação ainda acima da meta e juros básicos elevados. A trajetória da Selic continuará condicionada aos dados econômicos e aos riscos identificados pelo Copom, sem indicação antecipada sobre os próximos passos da política monetária.