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Peças de jogo de palavras formando os termos “AI” e “NEWS” sobre uma superfície clara.

Google apresenta ao TSE plano contra desinformação e conteúdos eleitorais gerados por IA

O Google apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 15 de setembro de 2026, um plano de conformidade para as Eleições Gerais de 2026. O documento reúne medidas voltadas à Busca do Google, ao YouTube e ao aplicativo Gemini, com foco na prevenção e no combate à desinformação durante o processo eleitoral brasileiro.

Segundo informações divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral, as ações incluem a remoção de conteúdos falsos sobre datas, horários, locais e formas de votação. O plano também prevê providências contra spam, bots e práticas de engajamento artificial, além da aplicação de sanções a canais que descumprirem as regras das plataformas.

O que prevê o plano apresentado ao TSE

O plano de conformidade eleitoral do Google está concentrado em mecanismos para reduzir a circulação de informações incorretas e facilitar o acesso do eleitor a dados oficiais. Entre as medidas previstas estão painéis informativos que direcionam os usuários para serviços da Justiça Eleitoral, como a consulta ao local de votação, a situação do título de eleitor e os resultados da apuração.

As iniciativas alcançam diferentes produtos da empresa. Na Busca, a proposta envolve a apresentação de informações úteis relacionadas ao processo eleitoral. No YouTube, o foco inclui o cumprimento das regras aplicáveis a conteúdos e canais. Já no Gemini, ferramenta de inteligência artificial generativa, a preocupação está relacionada à produção e à disseminação de materiais capazes de confundir o eleitorado.

O documento também contempla a identificação e a rotulagem de conteúdos produzidos ou modificados por inteligência artificial. A medida se aplica a materiais sintéticos ou manipulados que possam ser apresentados como autênticos, especialmente quando estiverem relacionados a candidatos, autoridades, votação ou resultados eleitorais.

Como Google, YouTube e Gemini devem agir

De acordo com o TSE, o plano prevê a remoção de conteúdos que divulguem informações falsas sobre aspectos essenciais da votação. Isso inclui dados incorretos sobre o dia da eleição, os horários de funcionamento, os locais de votação e as formas de exercer o voto.

Outra frente é o combate a comportamentos coordenados ou automatizados que possam artificialmente ampliar o alcance de determinadas mensagens. Spam, bots e engajamento artificial estão entre os pontos citados no conjunto de medidas. Também estão previstas sanções para canais que violem as políticas estabelecidas pelas plataformas.

A identificação de conteúdos gerados ou alterados por inteligência artificial busca oferecer ao público mais contexto sobre a origem do material visual ou audiovisual. A iniciativa ocorre em um cenário no qual ferramentas generativas podem facilitar a criação de imagens, vídeos e áudios com aparência realista, embora o plano apresentado não detalhe, nas informações divulgadas, todos os procedimentos técnicos usados em cada serviço.

Por que a inteligência artificial preocupa nas eleições

A expansão da inteligência artificial generativa aumenta a capacidade de produzir conteúdos falsos ou manipulados em escala. Em um período eleitoral, materiais desse tipo podem dificultar a distinção entre uma informação verdadeira e uma falsificação digital, principalmente quando circulam acompanhados de aparência, voz ou linguagem associadas a pessoas conhecidas.

Por isso, a transparência sobre conteúdos sintéticos se tornou uma das preocupações do plano. A rotulagem não substitui a verificação das informações, mas pode ajudar o usuário a compreender que determinado material foi criado ou alterado com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial.

A atuação das plataformas também é acompanhada dentro de uma estrutura regulatória definida pelo TSE. A Portaria nº 463, de 27 de julho de 2026, regulamenta a apresentação, a análise e o acompanhamento dos planos de conformidade adotados por grandes provedores de internet durante as eleições.

O que muda para eleitores e candidatos

Para os eleitores, a principal mudança esperada é a oferta de atalhos e painéis que levem a informações oficiais da Justiça Eleitoral, além de medidas para limitar conteúdos falsos e ações automatizadas. Ainda assim, o usuário continua tendo papel importante na checagem de mensagens recebidas e compartilhadas, especialmente quando o material tratar de votação ou de orientações eleitorais.

Candidatos, partidos e responsáveis por canais digitais deverão observar as regras das plataformas e as normas eleitorais aplicáveis. A apresentação do plano não significa que todo conteúdo político será removido, mas estabelece medidas específicas para enfrentar desinformação, manipulação, automação abusiva e materiais sintéticos potencialmente enganosos.

O primeiro turno das Eleições 2026 está marcado para 4 de outubro, enquanto um eventual segundo turno ocorrerá em 25 de outubro. Com a aproximação da votação, o plano do Google passa a integrar o conjunto de iniciativas acompanhadas pelo TSE para reduzir riscos informacionais no ambiente digital e facilitar o acesso dos brasileiros a dados confiáveis sobre o processo eleitoral.