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Tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros entram em vigor e miram diversificação de mercados

Sobretaxas de 25% e 12,5% afetam parte das exportações do Brasil desde o fim de julho

O governo dos Estados Unidos confirmou, em julho, a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros, ampliando um capítulo já longo de tensão comercial entre os dois países. No dia 15 de julho, Washington anunciou uma tarifa de 25% sobre importações vindas do Brasil, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, e no dia 23 do mesmo mês, uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre parte dos produtos. Ambas as medidas passaram a valer no dia 24 de julho, após um ano de investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR.

O que motivou a decisão americana

Segundo o governo dos Estados Unidos, a medida responde a práticas comerciais que a administração americana classifica como irrazoáveis por parte do Brasil. A decisão chega após meses de negociações que não resultaram em um acordo entre os dois países, mantendo a incerteza sobre o futuro da relação comercial bilateral. Ainda assim, nem todos os produtos brasileiros foram afetados da mesma forma pela nova rodada de tarifas.

De acordo com levantamentos do setor produtivo, cerca de 46% das exportações brasileiras aos Estados Unidos ficaram poupadas das novas tarifas, incluindo itens como aeronaves civis, que permanecem isentas. Uma parcela significativa das vendas ao mercado americano, entre elas, cerca de um quarto do total, passou a ser taxada em um percentual de 10%, patamar considerado mais moderado dentro do novo cenário tarifário.

Como o governo brasileiro está reagindo

Diante do novo cenário, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, a ApexBrasil, já iniciou tratativas com mercados alternativos para reduzir a dependência das exportações brasileiras em relação aos Estados Unidos. Entre os países mapeados como possíveis novos destinos estão Indonésia, Vietnã, Filipinas, Egito e Emirados Árabes Unidos, com o objetivo de firmar acordos sanitários e simplificar trâmites alfandegários que hoje dificultam o acesso a esses mercados.

O governo federal também estuda políticas de incentivo à industrialização local, que podem incluir linhas de crédito com juros subsidiados para agroindústrias e apoio à instalação de novas fábricas voltadas à exportação. Paralelamente, o Banco Central tem monitorado de perto o comportamento do câmbio, avaliando possíveis intervenções para conter o encarecimento de produtos importados e evitar pressões adicionais sobre a inflação doméstica.

O impacto em setores estratégicos da economia brasileira

Produtos como café e carne bovina, historicamente relevantes na pauta de exportação brasileira para os Estados Unidos, têm sido acompanhados de perto pelo setor produtivo desde o início da disputa comercial. Entidades do agronegócio já classificaram anteriormente reversões parciais de tarifas como vitórias importantes para a competitividade brasileira no mercado americano, o que reforça o peso político e econômico dessas negociações para o setor exportador do país.

Apesar do cenário mais desafiador, o Brasil não deixou de registrar resultados positivos no comércio exterior nos últimos meses, em parte por conta da expansão das exportações para outros parceiros comerciais, como a China. Esse movimento de diversificação, que já vinha ocorrendo antes da nova rodada de tarifas, tende a ganhar ainda mais força enquanto durar a atual fase de tensão comercial entre Brasília e Washington.

Fontes consultadas:
Tax Group, agosto de 2026: https://www.taxgroup.com.br/intelligence/tarifaco-de-trump-o-que-esta-em-jogo-entre-brasil-e-eua/
Agência Brasil: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-02/novas-tarifas-de-trump-poupam-46-das-exportacoes-do-brasil-aos-eua