Bloco sul-americano vê o pacto com os europeus como fator de coesão regional enquanto enfrenta pressão tarifária dos Estados Unidos
Enquanto o Brasil lida com o impacto das novas tarifas americanas sobre suas exportações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia tem ganhado força como alternativa de diversificação para o comércio exterior brasileiro. Análises recentes apontam que o pacto, negociado por mais de duas décadas, passou a funcionar como um fator de coesão para os países do bloco em meio às turbulências políticas e econômicas vividas pela América do Sul neste início de 2026.
O que está em jogo com o acordo europeu
O tratado entre os dois blocos prevê a eliminação de tarifas para até 90% do comércio entre Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, e os países da União Europeia. Pelo desenho original do acordo, os europeus reduziriam suas alíquotas em um prazo mais curto, enquanto os países sul-americanos teriam até quinze anos para retirar suas próprias tarifas, com boa parte da eliminação concentrada antes de dez anos.
Para o Brasil, que exportou dezenas de bilhões de dólares aos países da União Europeia nos anos mais recentes, o bloco europeu representa um dos maiores mercados do mundo para os produtos nacionais, atrás apenas da China. Setores como vestuário, calçados, equipamentos de transporte e produtos de metais e madeira, historicamente penalizados por tarifas em outros mercados, veem no acordo uma chance concreta de ampliar vendas caso o pacto avance para as etapas finais de ratificação.
O contexto da disputa comercial com os Estados Unidos
O interesse renovado no acordo com a Europa acontece justamente no momento em que o Brasil enfrenta a aplicação de novas tarifas por parte dos Estados Unidos, decisão que já provoca preocupação entre setores industriais e exportadores brasileiros. Analistas internacionais que acompanham a chamada guerra tarifária global observam que, mesmo diante da pressão americana, o Brasil tende a manter uma postura de diálogo, evitando por ora medidas de retaliação direta contra Washington.
Esse cenário de disputa comercial não é exclusivo do Brasil. Outros parceiros comerciais dos Estados Unidos também vêm sendo alvo de novas rodadas de tarifas, o que tem levado diferentes blocos regionais a acelerar negociações alternativas como forma de reduzir a dependência do mercado americano. Nesse contexto, o acordo Mercosul-União Europeia aparece como uma peça relevante na estratégia brasileira de diversificação comercial no médio prazo.
O que esperar da relação entre Brasil e seus parceiros comerciais
Para o consumidor e para o setor produtivo brasileiro, o desenrolar simultâneo dessas duas frentes, a tensão tarifária com os Estados Unidos e o avanço do acordo com a União Europeia, deve moldar boa parte da política comercial do país ao longo do segundo semestre de 2026. A expectativa de especialistas é que o Brasil intensifique esforços diplomáticos em múltiplas direções, buscando reduzir a exposição a um único parceiro comercial.
Enquanto os detalhes finais do acordo europeu seguem em debate entre os países-membros do Mercosul e da União Europeia, o episódio recente com os Estados Unidos reforça, na prática, por que a diversificação de mercados voltou ao centro das discussões econômicas no país.
Fonte: