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Copom reduz Selic para 14,25% e Focus aponta corte adicional até o fim de 2026

Banco Central corta juros básicos pela segunda vez seguida em meio a tensões do Oriente Médio e inflação ainda acima da meta

O Comitê de Política Monetária do Banco Central voltou a reduzir a taxa Selic em junho, levando os juros básicos da economia para 14,25% ao ano. A decisão, tomada em 17 de junho, marcou o segundo corte seguido do ciclo iniciado em abril, quando a taxa havia saído de 15% para 14,5%. Para quem acompanha o custo do crédito e o rendimento da poupança e da renda fixa no dia a dia, o movimento confirma uma tendência que já vinha sendo sinalizada pelo mercado desde o início do ano.

Por que o Copom segue cauteloso mesmo cortando juros

No comunicado que acompanhou a decisão de junho, o Copom reforçou que, apesar do corte, o tom da política monetária permanece cauteloso. A justificativa está em dois pontos: a inflação ainda roda acima da meta oficial, e o cenário internacional segue marcado por incertezas, sobretudo pelos efeitos já sentidos dos conflitos no Oriente Médio sobre o preço de combustíveis e alimentos.

Essa combinação ajuda a explicar uma dúvida recorrente entre quem acompanha a economia: se a inflação preocupa, por que o Banco Central reduz os juros em vez de mantê-los altos? A resposta está no processo gradual que o Copom vem construindo desde o início de 2026, quando a Selic começou a ceder depois de meses no patamar de 15%, o maior nível em quase 20 anos. O comitê avalia que a economia já responde ao aperto monetário anterior, o que abre espaço para cortes controlados sem perder de vista a meta de inflação.

O que projeta o mercado para o restante do ano

As estimativas mais recentes de bancos e casas de análise apontam para uma continuidade do ciclo de corte, ainda que em ritmo moderado. O Banco Safra projeta que a Selic encerre 2026 em 13,5% ao ano, refletindo um processo gradual de queda dos juros ao longo dos próximos meses. Outras instituições consultadas pela pesquisa Focus do Banco Central mantêm projeções semelhantes, em torno da mesma faixa para o fim do ano.

Vale lembrar que o calendário do Copom prevê oito reuniões por ano, sempre a cada 45 dias, com a decisão anunciada no segundo dia de cada encontro, após o fechamento do mercado. Cada reunião costuma provocar movimentação nos mercados de renda fixa, câmbio e bolsa, já que investidores e empresas ajustam posições e planos de investimento conforme a sinalização do comitê.

Para o consumidor final, os efeitos de um ciclo de queda da Selic aparecem principalmente no custo do crédito: financiamentos, cartão de crédito e empréstimos tendem a ficar mais baratos à medida que a taxa básica recua, embora o repasse aos bancos costume ser gradual e nem sempre imediato.

Como acompanhar as próximas decisões

Para quem quer entender melhor o que esperar da economia nos próximos meses, os principais indicadores a observar são o boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central com as projeções de mercado, e as atas das reuniões do Copom, publicadas sempre na terça-feira seguinte à decisão. Esses documentos costumam trazer mais detalhes sobre o raciocínio do comitê e sobre os riscos que podem alterar o ritmo dos próximos cortes.

Enquanto o cenário externo permanecer instável, a expectativa é que o Banco Central mantenha a postura cautelosa observada nas últimas reuniões, equilibrando o estímulo à atividade econômica com o compromisso de levar a inflação de volta à meta.

Fontes:

O Especialista Safra: https://oespecialista.safra.com.br/copom-junho-2026/

Revista Empreende: https://revistaempreende.com.br/calendario-do-copom-2026-datas-das-reunioes-e-decisoes-sobre-a-selic/