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Daugliesi Giacomasi Souza

Ambientes multifuncionais em imóveis compactos: um cômodo, três usos

Uma casa de 40 metros quadrados hoje não é exceção, é estatística: já responde por 41,1% dos lançamentos residenciais do país. Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, vê nesse número a confirmação de algo que já observava na prática há tempos, muito antes do dado se tornar manchete. Quando o metro quadrado encolhe, mas a lista de necessidades da família continua a mesma, a solução deixa de ser abrir mão de funções e passa a ser concentrá-las em um único cômodo bem planejado. 

Neste guia, abordaremos como projetar um ambiente capaz de assumir três funções diferentes sem parecer improvisado ou sobrecarregado.

O dado que resume a nova forma de morar

Levantamento recente do setor imobiliário mostra que unidades do tipo estúdio e apartamentos de até 40 metros quadrados já representam 41,1% dos lançamentos residenciais no Brasil, consolidando uma tendência que acompanha tanto o custo elevado dos imóveis maiores quanto uma mudança real no estilo de vida urbano. Esse crescimento vem acompanhado de expansão geográfica, com incorporadoras levando esse tipo de produto para além dos grandes centros, atingindo cidades médias que antes concentravam apenas imóveis de metragem tradicional.

Esse cenário, conforme evidencia Daugliesi Giacomasi Souza, obriga o projeto de interiores a abandonar a lógica de um cômodo, uma função, adotando em seu lugar um planejamento que antecipa diferentes momentos do dia dentro do mesmo espaço físico. Um imóvel compacto bem resolvido já nasce, hoje, pensado para acomodar trabalho, descanso e convivência social sem depender de metros quadrados adicionais para cada atividade.

Um cômodo, três usos: como isso funciona na prática

Uma sala de estar pode funcionar como home office durante a manhã, receber visitas à tarde e se transformar em quarto de hóspedes durante a noite, desde que o projeto preveja desde o início os elementos que permitem essa transição. Painéis ocultos, portas de correr e divisórias móveis assumem papel central nesse tipo de solução, revelando ou escondendo funções específicas conforme a necessidade do momento, sem exigir qualquer reforma estrutural para mudar de uso.

Daugliesi Giacomasi Souza
Daugliesi Giacomasi Souza

A iluminação setorizada reforça essa transição de função ao longo do dia, como assinala Daugliesi Giacomasi Souza, permitindo que o mesmo ambiente comunique visualmente se está em modo trabalho, modo descanso ou modo social apenas pela forma como a luz é distribuída. Um ponto de luz mais intenso e direcionado sinaliza a área de trabalho, enquanto iluminação indireta e mais baixa cria atmosfera de descanso no mesmo cômodo, poucas horas depois.

Os móveis que fazem o trabalho pesado

Sofás com módulos independentes, capazes de se reorganizar conforme a ocasião, e camas com baú interno, que aproveitam o espaço abaixo do colchão para guardar roupa de cama e objetos de uso pouco frequente, já se tornaram praticamente padrão em projetos de metragem reduzida. Bancadas e mesas retráteis, que se escondem contra a parede quando não estão em uso, liberam área de circulação em apartamentos onde cada metro realmente conta.

Na leitura de Daugliesi Giacomasi Souza, investir em marcenaria planejada até o teto rende ainda mais espaço de armazenamento do que investir em móveis soltos, já que aproveita toda a altura disponível do ambiente em vez de se limitar à largura das paredes. O chamado módulo divisório aberto, que substitui estantes tradicionais, também ganhou força recentemente, delimitando áreas distintas dentro do mesmo cômodo sem criar barreiras visuais pesadas entre elas.

O erro mais comum de quem tenta multifuncionalidade

O entusiasmo com soluções multifuncionais costuma levar a compras impulsivas de peças chamativas, sem qualquer planejamento prévio de como elas vão de fato circular dentro do espaço disponível. O resultado, quando isso acontece, é um ambiente que parece mais um depósito de móveis inteligentes do que um cômodo funcional, justamente o oposto do que a multifuncionalidade deveria resolver.

Esse cuidado com a leveza visual, segundo pontua Daugliesi Giacomasi Souza, faz toda a diferença entre um projeto multifuncional bem-sucedido e um ambiente sobrecarregado de boas intenções. Bordas finas, pernas metálicas discretas e uma paleta de cores clara e coesa evitam o peso visual que a multifuncionalidade geralmente carrega, mantendo a sensação de amplitude mesmo quando o cômodo acumula duas ou três funções diferentes. Multifuncionalidade bem-feita não se nota pela quantidade de usos que um cômodo acumula, e sim pela naturalidade com que ele transita entre eles.

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